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Água Subterrânea  

Distribuição dos Aquíferos

Água subterrânea encontra-se em formações subterrâneas chamadas aquíferos. Na África Austral a água subterrânea é um recurso crítico, devido a limitada disponibilidade e qualidade variável dos recursos hídricos superficiais (UNEP 2009). Um aquífero é uma formação geológica, ou parte de uma formação abaixo da superfície que é capaz de render uma quantidade suficiente de água, a qual pode ser captada através de furos, poços ou fontes (SADC 1991). Há três tipos de aquíferos que regem a ocorrência e distribuição de água subterrânea na bacia do rio Kunene (LNEC 1996):

  • As unidades cristalinas pré-câmbricas, tendo baixa permeabilidade com limitado potencial hidrogeológico perto das fracturas e em áreas com desintegração de rochas cristalinas. Em geral tais aquíferos têm baixa produtividade e potencial limitado. Estes ocorrem principalmente no curso superior do Kunene.
  • Osaquíferos cartesianos rasos, localizados entre 10 a 50 metros de profundidade, contendo água acumulada na bacia do Kalahari ou depósitos quaternários no curso médio do Kunene. Estes aquíferos são muito irregulares em dimensão, profundidade, produtividade e qualidade. A recarga é principalmente feita através de cheias no Médio Kunene e precipitação no Alto Kunene.
  • Osaquíferos artesianos profundos(câmbricos e infra-câmbricos), compostos por vários materiais de base. Dependendo do material de origem, os aquíferos podem ter baixa permeabilidade (argila de xisto ou silte) ou comportar-se como carste em áreas com rocha rica em carbonato (tal como calcário). Estes ocorrem apenas no oeste do Baixo Kunene perto do Oceano Atlântico.

O mapa abaixo apresenta a recarga da água subterrânea na bacia do rio Kunene.

Recarga da água subterrânea em toda a bacia.
Fonte: AHT GROUP AG 2010 adoptado de LNEC 1996
( clique para ampliar )

Aquíferos Transfronteiriços

Um aquífero transfronteiriço é um aquífero que atravessa a fronteira entre dois ou mais países. Geralmente os aquíferos transfronteiriços são sujeitos a “conflitos de interesse” criados pela partilha dos recursos com respeito a diferentes alvos ambientais, económicos e sociais. A gestão dos aquíferos transfronteiriços está sujeita a acordos multilaterais sobre captação da água, prevenção da poluição e outras medidas relevantes (Vasak and Kukuric 2006).

O mapa abaixo é uma visão global regional destes aquíferos transfronteiriços, subdivididos em quatro categorias:

  • Aquíferos pré-câmbricos sedimentares;
  • Rochas vulcânicas;
  • Rochas sedimentares consolidadas (câmbricas e mais jovens); e
  • Sedimentos não consolidados (principalmente quaternários).

Foram encontrados dois sistemas de aquíferos transfronteiriços na bacia do Kunene (UNESCO 2008). A bacia sedimentar costeira, um pequeno aquífero visível ao longo da costa atlântica composto por base rochosa pré-câmbrica, enquanto a bacia do Cuvelai-Etosha a leste da bacia é composta por rochas sedimentares câmbricas consolidadas (e mais jovens).

Aquíferos transfronteiriços na região SADC.
Fonte: IGRAC 2005
( clique para ampliar )

Qualidade da Água Subterrânea

A água subterrânea na bacia é geralmente considerada como sendo de boa qualidade, embora haja pouca informação qualitativa disponível, especialmente para a parte angolana da bacia.

No curso superior do rio Kunene, a qualidade da água é boa porém com ligeiramente altas concentrações de SO4 (sulfato), particularmente nos arenitos, xistos e dolomites no Karoo (DWA, 1986). Nas areias do Kalahari no curso médio do Kunene, a alta salinidade provocada pela dissolução de sais minerais ocorre em alguns horizontes sedimentares. De igual modo, a intrusão de água salgada nos aquíferos costeiros constitui uma ameaça à qualidade da água.

A água subterrânea em áreas de base rochosa pré-câmbrica é geralmente doce embora possa ser potencialmente corrosiva com baixos valores de pH e possa conter altos níveis de concentração de ferro. As áreas de base rochosa pré-câmbrica são geralmente propensas de conter altas concentrações de fluoreto devido ao intemperismo dos minérios contendo fluoreto (Chilton and Foster 1995).

Potencial da Água Subterrânea

As camadas semi-consolidadas e não consolidadas do grupo Kalahari são geralmente de textura fina a muito fina e têm baixa porosidade primária. Os furos nestes aquíferos são geralmente de baixo rendimento e produzem água de salinidade variável, com baixa produtividade de 2 - 5 m³/hora. Nos depósitos de origem argila arenosa, a infiltração da água é baixa e a maior parte da precipitação é escoada com muito pouca percolação para a água subterrânea. Onde as rochas mães são intrinsecamente impermeáveis, a ocorrência de água subterrânea é limitada às zonas de permeabilidade secundária formada por fracturas e falhas geológicas. Em alguns casos o dobramento do estrato provoca movimento ao longo dos planos de estratificação o que pode resultar em desenvolvimento de porosidade secundária.

Geralmente os aquíferos aluviais ou arenosos têm uma capacidade limitada de armazenamento contudo experimentam recargas relativamente rápidas depois de eventos significativos de escoamento.

Apesar da baixa precipitação no curso inferior do Kunene, podem ocorrer aquíferos fracturados que fornecem água adequada para o consumo doméstico e a criação de gado.

Há um grande número de nascentes nesta área em resultado da natureza impermeável da base rochosa, pela qual a água descerá lentamente pelo gradiente até encontrar rochas impermeáveis e massivas e seja forçada a voltar a superfície (LNEC 1996).

Em algumas áreas do curso inferior do Kunene, estruturas falhadas de dolomites e calcários ou formações abrigando aquíferos subterrâneos sofrem de intemperismo vasto ampliando a porosidade secundária, dando origem a características de carste. O intemperismo ocorre ao longo dos planos de estratificação, falhas e juntas, através da percolação da água meteórica contendo ácido carbónico por dissolução do CO2 atmosférico, o qual dissolve as rochas carbónicas (MAWRD 2000).

Distribuição de Furos

Os furos são o método mais comum de captação de água subterrânea na África Austral (SADC 1991). Na bacia, eles são principalmente perfurados na secção inferior do Kunene devido à escassez da água superficial e pouca chuva. Geralmente, o lençol freático nos trechos centrais da bacia situa-se entre 10 e 30 metros de profundidade, mas na Províncias de Kunene no trecho inferior da bacia, o lençol freático encontra-se a 220 metros de profundidade em áreas distantes dos rios.

Na bacia, há mais de 2 000 furos em operação que estão revestidos com tubos, principalmente para usos domésticos e agrícolas. Contudo, o seu rendimento é geralmente baixo, com 1 a 10 litros de água por segundo. A maioria dos furos não excede a profundidade de 100 metros excepto no curso inferior do Kunene. O último inventário com informação sobre a sua distribuição espacial (por província) data de 1992 (Minader/FAO 2004).

 

 



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